Campanha do quilo
Todo 1º domingo do mês, das 8:00 às 11:00 hs, realizamos
a campanha do quilo.
A campanha do quilo como uma atividade cristã-espírita teve início nos idos de 1952, no Centro Espírita Oriente, hoje conhecido como Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla. Existe a informação de que a Sociedade Espírita Nina Aroeira já realizava essa atividade desde 1949, sob a direção e entusiasmo de um valoroso espírita mineiro, o irmão Machado, e com o nome de Caravana de Alegria Cristã. Presume-se que tais trabalhos duraram pouco tempo, e infelizmente não foi possível acessar outros registros sobre o assunto.
Em 1952, o Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla realizava reunião pública às quintas-feiras. A irmã Leda Morais coordenava, na época, uma atividade muito meritória e, de público, exortava as pessoas presentes a trazerem na semana seguinte um quilo de qualquer alimento com destinação a algumas famílias pobres assistidas pelo grupo.
O jovem Jarbas Franco de Paula, que freqüentava a instituição há pouco mais de um ano, tomou a atitude de procurar o seu presidente, o irmão Gabriel Sândi, no intuito de apresentar a ele tais idéias, e o diálogo transcorreu da seguinte maneira:
- Senhor presidente, permita-me uma sugestão, já que vejo o esforço sem muitos resultados da nossa irmã Leda, de angariar gêneros alimentícios para serem distribuídos às famílias assistidas pela nossa instituição.
- Do que se trata, meu jovem?
- Por que não realizamos uma campanha nas ruas, para aumentar a arrecadação de mantimentos a serem ofertados?
- Ora, Jarbas, isso poderá trazer problemas inesperados e de difícil solução. Ademais, uma atividade assim só comporta ser realizada por criaturas jovens.
- Compreendo, mas faço-lhe um pedido e ficarei imensamente grato, se atendido.
- Qual é? Eu preservo a instituição; no entanto, sou uma pessoa aberta e tenho sensibilidade.
- Autorize a realização de uma, uma só, campanha para efeito de experiência.
- Bem, uma só, eu autorizo.
Na quinta-feira seguinte, o Jarbas, cheio de entusiasmo, fez o convite em plena reunião pública para que pessoas participassem da nova atividade a acontecer, a partir das 8 horas do domingo. Percorreriam a rua Itajubá e algumas ruas adjacentes no bairro Floresta.
Assim, num belo domingo de junho de 1952, o grupo, formado por Jarbas Franco de Paula, Leda Morais, José Lopes Souza Lima e sua esposa Isaura, Vicente Wendling e Cacilda Morais, inaugurou o ciclo permanente da campanha do quilo em Minas Gerais.
Foi tanta a arrecadação, que os sacos de farinha destinados a abrigar as doações não foram suficientes. A pequena despensa ficou abarrotada.
Ficamos a imaginar a alegria daqueles caravaneiros e a sintonia fina que eles alcançaram com a Espiritualidade.
Atendamos agora a expectativa do leitor: é claro! O presidente da instituição não teve como interromper "A Campanha do Quilo" iniciada. Conta-se, inclusive, que, a partir de julho do mesmo ano, ele com esposa e filha reforçaram o time do bem.
A campanha do quilo constitui uma das atividades mais nobres realizadas pelos espíritas. Existem notícias de tal atividade desde os primórdios da segunda metade do século passado, o que significou uma verdadeira revolução e mudanças de costumes, já que o centro espírita era tradicionalmente fechado em si mesmo, e as ações externas, além de restritas, sofriam um julgamento equivocado do público em geral.
Com uma certa timidez, algumas casas espíritas, naquela época, realizavam visitas a enfermos com aplicação do passe de magnetismo humano-espiritual e, como os resultados fossem auspiciosos, houve um encorajamento dos espíritas para a vivência dos ensinos do Cristo, corroborados por Allan Kardec: A fé sem obras é morta; fora da caridade não há salvação!
Hoje um universo de mais de cem casas realiza a campanha com regularidade, aos sábados ou domingos, exatamente pela facilidade de arregimentar tarefeiros ou voluntários tanto como pela possibilidade de encontrar os moradores em seus respectivos lares.
Essa é das tarefas primeiras a se recomendar ao incipiente espírita! Tão logo o freqüentador se identifique com a Casa e alcance relativo padrão de harmonia interior, desde que manifeste desejo e se disponha a atender as normas explicitadas, estará apto a participar de tão sublimada atividade espiritualizante. Não se exige desse tarefeiro profundos conhecimentos doutrinários e evangélicos, nem tampouco atestado de bons antecedentes morais, até porque a maioria de nós está à semelhança do filho pródigo, isto é, o Senhor da Vida nos dignifica com oportunidades de reparação dos nossos equívocos pretéritos e construção de um futuro mais feliz. O hoje é então a oportunidade inadiável!
A campanha do quilo atende, em simultâneo, duas missões características do centro espírita: a de OFICINA, pelo trabalho assistencial propriamente dito; a de TEMPLO, pela dilatação dos limites físicos da instituição, irradiando-a até os lares visitados.
Como oficina: vários trabalhadores deixam a comodidade dos seus lares, o prazer do divertimento nos clubes ou dos passeios nos sítios, para carregarem, nas mãos, sacolas ou fardos, deslocando-se para aqui ou acolá, muitas das vezes em árduas caminhadas, enfrentando situações inesperadas e de perigo; para recolherem de corações generosos a peça de roupa, o remédio, o brinquedo velho, o livro usado, a barra de sabão, o quilo de feijão, o pacote de arroz, o macarrão, a moeda, o sapato e seja lá o que for, até um pedaço de pão.
Texto extraído da Fraternidade Espírita Irmão Glaucus
http://www.feig.org.br/nossotraba/cquilo.htm
Espíritas! Amai-vos eis o primeiro. ensinamento; instruívos, eis o segundo.
